O economista António Baptista aconselhou o emprego da poupança como estratégia fundamental para as famílias terem liquidez, principalmente para driblar as crises que nunca estão previstas.

António Baptista, que é presidente da Associação de Promoção da Educação Financeira, disse à Inforpress que em Cabo Verde há uma grande dificuldade das pessoas em guardar dinheiro, clarificando que essa tendência “não está associada à baixa renda”.

Convidado a avaliar a capacidade do cabo-verdiano no emprego da poupança em tempos de crise, o economista explicou que com esta situação da pandemia, tornou-se nítida a necessidade dessa estratégia, isso porque, as pessoas “não estavam precavidas”, o que prejudicou o rendimento dos menos atentos.

Segundo apontou, a poupança é um dos aspectos que melhora a resiliência das famílias, mas que, infelizmente, no país essa prática não foi ensinada.

Um dos erros sobre o emprego da poupança, esclareceu, é a forma como ela é aplicada, ou seja, as pessoas fazem-na com o que sobra do rendimento, mas que, no entanto, deveria ser o oposto, sendo o primeiro dinheiro a “ser pago a nós mesmos”.

“Costuma-se pagar as contas, pagamos todas as facturas e no fim, se sobrar, o que geralmente não sobra, diz-se que é para poupar”, salientou.

Conforme atestou, nesta época de crise a poupança é praticamente forçada, pois, não se sabe quanto tempo vai demorar e o Estado não tem condições para ajudar a todos.

António Baptista indicou que quando se fala em poupança, as pessoas associam ao dinheiro, mas o emprego desta estratégia abrange outros valores, nomeadamente em relação à poupança de eletricidade, à água, às sobras de comida, ao vestuário, entre outras necessidades.

“Esta pandemia é um grande momento para fazer o orçamento familiar, tendo todo mundo em casa e discutir sobre esse orçamento”, afiançou, sustentando o facto da população saber diferenciar, o que é necessário, prioritário e supérfluo, urgente e o que pode esperar, e em função disso distribuir o seu orçamento.

Por outro lado, o economista considerou que as pessoas não podem alavancar na teoria de que Cabo Verde é pobre, o rendimento salarial é baixo, por isso sem motivos para se fazer poupança.

Nesta linha, António Baptista lembrou que há países mais pobres e com um piso salarial menor, mas, mesmo assim, as pessoas conseguem fazer sua poupança.

“O salário em Cabo Verde, para grande maioria, é para satisfazer as necessidades e não para realizar sonhos, e a única estratégia de debelar a situação é com a poupança.

Para o economista, é sempre prudente ter um fundo de emergência, e a maioria das famílias no país não tinha, ficaram dois meses em casa, e começaram a depender das cestas básicas.

“Fazer poupança não é ser rico ou pobre, é uma estratégia que pode ser adoptada por qualquer pessoa, independentemente da sua renda mensal”, ressaltou.

Instado se é prudente, nesta época da crise da covid-19, ter um stock grande de alimentos em casa e pouca reserva em dinheiro, António Baptista referiu que “este plano não se justifica”, porque o país não está a passar por uma crise alimentar.

Por isso, clarificou, é de extrema importância as famílias terem liquidez, para suprir necessidades que só o dinheiro pode satisfazer.

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